Natural de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, o biólogo Maurício Barbosa Muniz cresceu aproveitando as praias da Baía de Guanabara. Mas também viu de perto seu processo de degradação. Mal sabia ele que, anos mais tarde, assumiria a chefia de duas unidades de conservação que guardam justamente um dos pedaços mais conservados daquele enorme ecossistema: a Estação Ecológica (ESEC) Guanabara e a Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapi-Mirim, que fazem parte do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Guanabara. E foi à frente dessas unidades que ele conheceu de perto o Projeto Apoio a UCs, quando começava a germinar ainda em 2015.
“Eu estava desde o início, acompanhei as primeiras reuniões de planejamento, discutindo ainda quais ações e de que forma as unidades iriam usar esses recursos”, relembra. E assim como pôde acompanhar com tristeza a deterioração da Baía de Guanabara, ele também celebra as conquistas que o Projeto Apoio a UCs vem deixando de legado para as 10 unidades de conservação marinhas e costeiras contempladas pela iniciativa.
Segundo ele, as áreas protegidas marinhas têm algumas particularidades em sua gestão que faz com que os recursos públicos cheguem a elas de forma mais lenta. Com o Projeto Apoio a UCs, diz, esse processo ganhou um ritmo mais ágil. “Às vezes as unidades precisam de um barco de alumínio com um motor tal, uma boia de sinalização com características específicas, placas feitas de um material que não corrói no mar… Tudo isso impõe uma série de dificuldades que através do Projeto Apoio a UCs nós conseguimos superar de forma mais rápida”, explica Maurício.
E foi esta maior agilidade que fez com que as equipes gestoras das unidades contempladas decidissem apontar os recursos para ações mais complexas e estruturantes. A partir deste olhar, por exemplo, saíram do papel algumas iniciativas importantes, como a aquisição e a reforma da sede da Reserva Extrativista (RESEX) Marinha de Arraial do Cabo ou a construção do Espaço Manguezal no NGI Guanabara, onde Maurício esteve à frente entre os anos de 2009 a 2025.
Desde o ano passado, o biólogo deixou a chefia do NGI Guanabara para assumir um cargo onde continua olhando para as UCs que margeiam a Baía. Mas agora, como Coordenador Territorial da Gerência Regional Sudeste do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ele tem uma visão mais ampliada para as unidades dos estados fluminense e também paulista. Recém-criado pelo instituto federal, o cargo passou a fazer a ponte entre os servidores que estão na ponta executando o dia a dia das UCs nos territórios e as gerências que ficam mais próximas das estruturas de diretoria e presidência do ICMBio.
No novo cargo, portanto, Maurício continua por perto das tomadas de decisão do Projeto Apoio a UCs, fazendo o meio de campo entre os chefes das unidades e as instâncias que fazem o planejamento mais estrutural do órgão. Assim, ele também vem acompanhando os processos formativos que o ICMBio tem oferecido para seu corpo de servidores, com recursos do Apoio a UCs. Nos últimos anos, o instituto já realizou um Encontro Regional de Chefes de Unidades de Conservação, um Seminário de Boas Práticas em Gestão Socioambiental e outros encontros temáticos – um deles, inclusive, sobre UCs marinhas.
Com um olhar afiado de quem já atravessa quase duas décadas de contribuição ao ICMBio e às unidades de conservação do Sudeste brasileiro, Maurício diz que o Projeto Apoio a UCs tem sido um marco importante na gestão dessas áreas. “O projeto vem oferecendo um apoio fundamental e estratégico ao longo dos anos, sendo responsável por ações estruturantes e complexas dentro das unidades”, diz o biólogo.
Depois de quase 10 anos de trabalho, o Projeto Apoio a UCs finalmente entra em sua reta final. E, coincidentemente, uma das últimas obras que ele irá entregar é a reforma do Espaço Manguezal na sede do NGI Guanabara, que Maurício acompanhou quando tudo não passava de uma ideia no papel. “Tenho certeza que será bem sucedido. Vamos concluir o projeto com chave de ouro”, diz ele.
Foto: ICMBIo