Hora de celebrar!

Quem chega à praia de Ipanema, na Zona Sul carioca, dá de cara com elas: a cerca de 5 quilômetros de quem está na areia, as Ilhas Cagarras sempre foram admiradas à distância. Mas nos últimos tempos, suas riquezas naturais – e seus desafios – têm sido cada vez mais conhecidos pela ciência e também por visitantes: fruto direto da criação do Monumento Natural do Arquipélago das Ilhas Cagarras (MONA Cagarras), uma unidade de conservação que completa 15 anos de existência no dia 13 de abril de 2025.

“É uma unidade de conservação jovem, que saiu da infância e está dando seus primeiros passos com as próprias pernas”, resume a chefe da UC, Tatiana Ribeiro. Há 7 anos à frente da unidade, Tatiana não só testemunhou como participou ativamente do amadurecimento do MONA Cagarras. E segundo ela, este alvorecer é resultado de três fatores principais: planejamentos bem feitos, parcerias estratégicas e recursos disponíveis.

É justamente com recursos que, desde 2017, o Projeto Apoio a UCs tem viabilizado, além da reforma da sede, uma série de equipamentos e serviços fundamentais para o desenvolvimento e funcionamento da unidade. Pioneira dentre as UCs marinhas de proteção integral do Rio de Janeiro, o MONA Cagarras passou anos sem uma embarcação. E esta foi a primeira providência que o projeto possibilitou.

“Até 2018 só conseguíamos chegar à UC de carona”, conta Tatiana. “Fazer gestão de uma área sem conseguir chegar até ela é muito complicado. O aluguel de um barco permitiu a gente estar mais presente institucionalmente, e só isso já mudou muita coisa”, diz a gestora.

Além de reduzir as infrações ao redor das ilhas, a presença do ICMBio em alto mar também atraiu os olhares de cientistas: com o transporte náutico garantido, a equipe da UC começou a fazer parcerias com universidades, desabrochando uma série de iniciativas científicas na área protegida. “Hoje tem várias pesquisas focadas em problemas reais da nossa UC, como a poluição e os impactos das espécies exóticas invasoras (a exemplo do coral-sol, do capim-colonião e de ratazanas, que ocupam as áreas marinha e terrestre das Cagarras) ”, conta Tatiana.

E se hoje as pesquisas atendem aos interesses da unidade, é porque desde 2020 ela tem um Plano de Manejo. Espinha dorsal de qualquer unidade de conservação, o documento orientador também nasceu com a contribuição financeira do Projeto Apoio a UCs. E desencadeou outros planejamentos aprofundados, com metas e ações concretas para a unidade. “Com os planos feitos e o dinheiro para executar, conseguimos partir para fazer o que precisava ser feito”, diz Tatiana.

Além dos estudos científicos, da fiscalização e do manejo de espécies exóticas invasoras, a equipe da unidade – que saltou de duas para seis pessoas – também tem voltado seus esforços para aproximar o arquipélago e a população da cidade. Nos últimos anos, a UC ganhou holofotes em algumas ações de comunicação pública, como uma exposição que ocupou o Aeroporto Santos Dumont. O ICMBio também capacitou e credenciou cerca de 40 condutores de mergulho e 5 de trilha terrestre.

Paralelamente a esse processo, o MONA Cagarras desenvolveu um aplicativo de celular para que qualquer visitante, condutor ou servidor do ICMBio possa alimentar um banco de dados com informações sobre espécies encontradas durante a visita, denúncias ou até agendamentos de passeios.

“Eu fico bem feliz de ver os avanços que aconteceram na UC. Além de uma equipe comprometida, tivemos muitos apoios, de universidades, do Projeto Apoio a UCs, do projeto Ilhas do Rio, dos conselheiros da unidade que sempre estiveram junto…”, diz Tatiana, ressaltando a importância de uma gestão em rede.

No dia 13 de abril, quando a unidade completa seus 15 anos de criação, uma parte dessa teia de apoiadores irá levar materiais expositivos para a areia da praia, a fim de conversar com as pessoas e sensibilizá-las sobre a importância e as maravilhas daquelas ilhas que são tão famosas quanto desconhecidas pela população. É hora de celebrar!

Foto: Caio Salles