Turismo Comunitário fortalece comunidades tradicionais da Costa Verde

O Turismo Comunitário ou Turismo de Base Comunitária (TBC) é uma alternativa estratégica para o desenvolvimento sustentável das comunidades litorâneas da Costa Verde, no estado do Rio de Janeiro. Além de valorizar a cultura tradicional, essa prática estimula a geração de emprego e renda. O projeto Educação Ambiental apoiou iniciativas na Ilha Grande e em Paraty.   

“Desde o início do ano, as atividades de TBC estão bem movimentadas. Recebemos grupos escolares, produzimos quatro roteiros e investimos em práticas de revezamento de condutores, como uma forma de potencializar a geração de renda comunitária, ressalta Jaísa Assis, coordenadora da Associação de Moradores e Pescadores da Enseada das Estrelas (AMPEE), que atua na Ilha Grande. 

Com o apoio do projeto, o Instituto Amigos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (IA-RBMA) desenvolveu o Roteiro Integrado de Turismo de Base Comunitária, voltado às comunidades caiçaras da Península da Juatinga, em Paraty. A partir dos recursos recebidos, a iniciativa já capacitou 80 condutores ambientais no município e estabeleceu parcerias estratégicas com o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) para a qualificação e o credenciamento do curso de formação profissional. 

Roteiro Caiçara: Cultura e Sustentabilidade em Paraty 

O projeto oferece roteiros criados pelas próprias comunidades durante cursos de formação de condutores, permitindo que visitantes explorem as paisagens naturais, enquanto conhecem as histórias, tradições e os estilos de vida das populações locais. O roteiro caiçara abrange 11 comunidades de Paraty: Trindade, Ponta Negra, Martins de Sá, Saco das Anchovas, Praia do Sono, Ponta da Juatinga, Pouso da Cajaíba, Saco do Mamanguá, Cairuçu das Pedras, Paraty Mirim e Laranjeiras. 

“É muito gratificante fazer parte de um projeto que valoriza a cultura caiçara ancestral, promove o respeito e a proteção do meio ambiente, e fomenta o empoderamento social. Ao mesmo tempo, ensina a guiar de maneira consciente e humanizada, representando uma alternativa viável para complementação de renda, destaca  Cauê Villela, coordenador do Roteiro Integrado de Turismo de Base Comunitária na Península da Juatinga. 

Para Yasmin Puchalski, que há mais de uma década atua junto com o seu marido, Cauê Villela, na criação de roteiros na comunidade de Ponta Negra, o projeto tem sido transformador e já formou cerca de 15 condutores locais. “Por meio dessa iniciativa, conseguimos ativar a Associação de Condutores Ambientais de Paraty (ACAP), que abriu novas oportunidades para os comunitários atuarem como agentes multiplicadores em práticas de turismo coletivo, de forma independente e com possibilidade geração de renda. Atualmente, cerca de 70 a 80% dos condutores que formamos individualmente estão atuando no turismo local, conta.   

Para expandir o conhecimento e atrair um público maior, são implementadas ações de comunicação eficazes.  

“Os condutores têm intensificado a divulgação nas mídias digitais, incentivando visitas a locais como áreas de pesca artesanal, onde os turistas podem vivenciar o estilo de vida tradicional e roças, que mostram a agricultura familiar como principal fonte de sustento. Também promovemos visitas à casa de farinha e a outras comunidades tradicionais. É muito gratificante ver essas publicações alcançando um público cada vez maior”, comemora Yasmin. 

Outras iniciativas de TBC na Costa Verde 

Na Baía da Ilha Grande, o turismo comunitário avança com o apoio do Projeto Educação Ambiental, que promove a conservação da biodiversidade, o resgate da cultura ancestral e a valorização das comunidades tradicionais e da economia solidária local. 

A Associação de Moradores e Pescadores da Enseada das Estrelas (AMPEE) lidera o subprojeto “Produzindo Roteiros Integrados de Turismo Sustentável e Solidário na Costa Verde. 

Desde que recebemos apoio do FUNBIO, em outubro 2022, a busca pelos roteiros aumentou em 80%, principalmente durante o inverno.  A ação, que opera com uma dinâmica de revezamento, envolve e cerca de 40 participantes, entre marisqueiras, guias locais, mestres griôs, cozinheiras e barqueiros. Atualmente, temos o dobro de participantes em comparação ao início do projeto, o que tem proporcionado fontes de renda extras para a comunidade”, afirma Jaísa Assis, coordenadora da AMPEE 

Jaísa ainda destaca que quatro roteiros foram estruturados, por meio do subprojeto, e estão sendo trabalhados junto às comunidades da Freguesia de Santana, Saco do Céu, Praia da Feiticeira e Praia de Fora. 

Beatriz Mattiuzzo compartilha sua experiência com o projeto. “Fiquei muito feliz com a experiência de TBC da AMPEE! Há muito tempo sentia a necessidade de explorar roteiros turísticos aqui na Ilha Grande, que realmente valorizassem a comunidade local como ela merece. Viver isso na prática foi incrível! O almoço caiçara também foi inesquecível. Desde que fiz o roteiro, recomendo a todos os meus amigos!”, referindo-se à trilha da Praia da Feiticeira.  

“É um roteiro muito “comercial”, já oferecido por outras agências de turismo, mas foi completamente diferente fazê-lo com a comunidade local e aprender sobre as histórias da região”, elogia. 

Sobre o diferencial dos roteiros oferecidos aos visitantes, Jaísa explica: “O nosso objetivo é apresentar algo que vem de dentro para fora. Queremos trazer o turismo para o nosso território, permitindo que os visitantes conheçam nosso modo de vida e saberes tradicionais”.  

Jaísa também destaca o protagonismo feminino no projeto de cartografia social, que resultou na criação do livro “Narradores das Estrelas, Histórias de Ilha Grande” reunindo histórias e saberes tradicionais. “Conseguimos envolver 11 mulheres no projeto. Elas visitaram diversas casas para conhecer modos de vida e histórias locais, o que nos permitiu criar um material que agora é um patrimônio da AMPEE”, destaca. 

Outra ação paralela envolveu 25 mulheres em vivências que culminaram na criação de dois roteiros: um no Quilombo do Campinho e o outro em São Gonçalo, ambos situados em Paraty. 

“As outras comunidades da Ilha Grande, ao observarem o sucesso do nosso projeto, têm se inspirado e demonstrado interesse em implementar o turismo de base comunitária em seus próprios territórios. Como reconhecimento, já fomos convidados a participar de formações, onde tivemos a oportunidade de compartilhar nossa experiência com os comunitários locais”, conclui Jaísa. Entenda o projeto, acessando este link. 

As iniciativas de turismo comunitário aumentam a visibilidade das comunidades, ao mesmo tempo que ajudam a preservar seus recursos naturais e culturais. “Essas práticas contribuem para a construção de um turismo de qualidade, onde as pessoas se beneficiam ao valorizar aquilo que sabem fazer de melhor: suas atividades tradicionais!  

Jaísa ainda acrescenta que essas iniciativas também desempenham um papel relevante na proteção dos manguezais, um ecossistema essencial para a desova dos peixes, que tem sido severamente ameaçado pela expansão do mercado imobiliário. “A conservação do manguezal é fundamental para a sustentabilidade da pesca e do turismo local”, conclui Jaísa. 

Roteiros de TBC  

  • Paraty 

Saiba mais sobre o Roteiro Caiçara por meio da  rede social oficial, onde também é possível agendar pacotes de Turismo de Base Comunitária (TBC) e visitas personalizadas às comunidades participantes.  

  • Ilha Grande 

Conheça o trabalho da AMPEE e as atividades de TBC que estão sendo promovidas em parceria com as comunidades da Baía de Ilha Grande aqui.