Todos por Arraial

Foto: Joaquim Lima

O dia 23 de novembro de 2023 já ficou marcado na história da Reserva Extrativista (RESEX) Marinha do Arraial do Cabo. Naquela quinta-feira, aconteceu a cerimônia de entrega das chaves da nova sede da RESEX. Com quase 30 anos de existência, a unidade finalmente ganha uma sede própria, com recursos do Projeto Apoio a UCs. O imóvel ainda vai passar por uma reforma para transformar a antiga casa residencial em um escritório. Mesmo assim, desde o primeiro minuto de portas abertas, o local já vem sendo devidamente aproveitado: foram três dias consecutivos de eventos que mostram a importância deste marco.

Cerca de 80 pessoas estiveram na cerimônia do dia 23 de novembro para celebrar a conquista. Além de representantes do ICMBio, do IBAMA, do FUNBIO e da PRIO, o prefeito da cidade, Marcelo Magno, também marcou presença, assim como membros do Conselho Deliberativo da RESEX, de associações e instituições ligadas à pesca local, como a Fundação Instituto de Pesca de Arraial do Cabo, a Associação da Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo (AREMAC) e a Associação de Pescadores de Arraial do Cabo (APAC).

Foi uma grande festa. E não dava para ser diferente. Afinal, até aqui a RESEX já passou por inúmeras bases temporárias, improvisadas, sem estrutura e algumas até insalubres. De agora em diante, tanto os servidores do ICMBio como as comunidades que fazem parte da reserva terão à sua disposição um imóvel com 575 m², projetado especialmente para servir à unidade. Mesmo com uma reforma pela frente – e a inauguração prevista para o primeiro semestre de 2024 – a nova sede já está trazendo bons ventos para a RESEX.

Sede de encontros

Com as chaves entregues, não demorou para que o espaço começasse a ser desfrutado pelas comunidades locais – o que, aliás, era um dos objetivos do ICMBio, já que a RESEX é uma unidade de uso sustentável. Um dia após a cerimônia, a nova sede já abrigava um encontro com representantes de 15 iniciativas atuantes no território, que fazem parte dos projetos Educação Ambiental e Pesquisa Marinha e Pesqueira – ambos no âmbito do TAC Frade.

Era, talvez, a primeira vez que tantas ações ligadas ao setor pesqueiro e à conservação local reuniam seus membros para falar sobre o trabalho que realizam na região de Arraial do Cabo. Mais de 50 comunitários compartilharam suas próprias histórias e experiências, além de dividir os resultados alcançados por seus projetos.

Coordenador da iniciativa Nosso peixe, nosso suor, nosso preço, conduzida pela Colônia Z-5, em Arraial, Evanildo Azeredo Sena (o Nildo) diz que o encontro foi muito proveitoso. “Unir a classe pesqueira é sempre importante. Conseguimos conhecer os projetos uns dos outros e perceber que temos vários anseios em comum”, comenta, ressaltando o protagonismo local: “Também ficou claro como as comunidades têm toda a capacidade e a responsabilidade para tocar seus próprios projetos”.

À frente da Associação de Pescadores do Parque das Garças Integrada (APESCARPGIN), em um distrito de Arraial do Cabo, José Carlos Teixeira – mais conhecido como Zezeco – faz coro com o colega. “A reunião foi fundamental para integrar as pessoas e as comunidades que atuam na região. Foi mais um passo para a valorização e o resgate da nossa cultura, da nossa tradição”, diz.

Após o fim do encontro, ainda teve mais. No dia seguinte, a sede da RESEX também foi palco de outro evento inédito: uma reunião de pesquisadores que atuam na unidade. Representando várias áreas do conhecimento e ligados a diferentes instituições, o grupo apresentou cerca de 10 trabalhos desenvolvidos no território. “A gente precisa melhorar a comunicação dos pesquisadores com as comunidades. Há muitas reclamações de que os cientistas vêm, colhem informações e não dão um retorno”, explica o gestor-chefe da RESEX pelo ICMBio, Leandro do Nascimento Goulart.

A julgar pelos primeiros – e intensos – dias de atividades, já é possível prever que a nova sede da RESEX Marinha do Arraial do Cabo veio para ser não só uma base administrativa, mas principalmente um local de encontros e trocas frutíferas. “Acredito que a sede vai definitivamente mudar a história da RESEX. Trabalharemos para que este espaço seja o mais participativo, pedagógico e inclusivo que a gente possa ter aqui na nossa unidade de conservação”, disse Leandro.

Texto originalmente produzido pelo jornalista Bernardo Camara para a newsletter “Linhas do Mar” para divulgação dos Projetos Apoio à Pesquisa Marinha e Pesqueira, Educação Ambiental e Apoio a UCs.

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